10 de setembro 2016

Informação

"O computador nunca se deve intrometer na relação com o vosso doente", exortou Carlos Cortes


Viseu foi palco da segunda edição das Jornadas "Refresh Med 16 - Jornadas Médicas Dão Lafões, que decorreram, entre 9 e 10 de setembro de 2016, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu (Instituto Politécnico de Viseu). Este evento científico, criado por um conjunto de internos de Medicina Geral e Familiar da região Dão-Lafões, pretende dar maior visibilidade à excelência da Medicina que é praticada e ensinada nesta zona do País. A sessão de encerramento das Jornadas contou com as intervenções do Presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, da Diretora do Internato Médico de Medicina Geral e Familiar de Viseu, Helena Sousa, e do Coordenador do Internato de Medicina Geral e Familiar da Região Centro, Rui Nogueira, que é também o atual presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. Foram ainda entregues prémios no âmbito das comunicações apresentadas nas jornadas.
No início da sessão de encerramento, Helena Sousa, disse: "Vocês foram incríveis. Provaram ser possível superar o que já tinha sido perfeito. Estou grata por ter sido diretora do Internato destes prodígios. Destaco a vossa energia, competência e rigor. Obrigada a todos os participantes. Sejam felizes e até 2017".
Por seu turno, o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, ao intervir nesta sessão, desafiou os jovens médicos a enveredarem pela "exigência na formação" contínua e deixou um "sinal de esperança e respeito pelo valores humanistas" aos participantes das Jornadas Médicas Dão-Lafões - REFRESH MED 16. Carlos Cortes assinala o facto de serem os próprios jovens médicos a incutir elevados índices de exigência na formação. "A exigência da Formação médica não vem só dos responsáveis da Ordem dos Médicos, dos responsáveis dos serviços, mas vem, sobretudo, dos Internos", sublinhou. Aludindo à sua participação na semana anterior a estas Jornadas no
VII Encontro da Comunidade Médica de Língua Portuguesa, o presidente da SRCOM deu conta de que, também nesse encontro, se falou de formação. "Aquilo que se espera de Portugal é que todos possamos transmitir para os outros países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa a nossa forma de ensinar e de aprender". Este intercâmbio formativo tem já, aliás, enquadramento legal. Aos participantes das Jornadas Médicas Dão Lafões, Carlos Cortes exortou: "Não percam esta exigência da formação médica e saibam transferi-la para a qualidade da Medicina. Devemos exigir melhores condições para o nosso trabalho do dia-a-dia. Não chega ser bons médicos. Temos de ser exigentes e querer sempre mais. Isso é, sobretudo, muito importante para os nossos doentes. Nós somos os Provedores dos Doentes. Não somos os únicos profissionais a fazê-lo mas, porventura, é aquilo que de mais importante temos na nossa profissão: os nossos doentes. Cultivem esta relação com os doentes. Ela é absolutamente essencial.
E deixou um apelo concreto, tendo em conta o devir tecnológico: "Nós estamos a atravessar momentos em que temos uma série de instrumentos que nos ajudam no nosso dia-a-dia, como a informática por exemplo, mas tentem que nunca o computador se intrometa na vossa relação com o doente". É sobretudo com base na matriz humanista da relação médico-doente que Carlos Cortes manifestou este pedido, pois, alertou, em muitos momentos da vida do médico "haverá sempre alguém que apenas avalia o trabalho tendo em conta o número de consultas realizadas, o número de exames solicitados, etc.". Na senda deste raciocínio, o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos lembrou que, recentemente, em Coimbra, no encontro do Fórum Ibero americano das Entidades Médicas, foi abordada a candidatura à UNESCO da relação médico-doente como Património Imaterial da Humanidade. "Nós sabemos o quão importante esta relação", frisou.
Por fim, Rui Nogueira, Coordenador do Internato Médico de Medicina Geral e Familiar da Região Centro, começou por saudar a "entusiasta" do Internato Médico, Helena Sousa, e a presença do coordenador do Conselho Nacional de Pós-graduação, Carlos Cortes, cujo órgão reputa dos mais importantes da Ordem dos Médicos. Na sua intervenção, sublinhou: "Aprendemos uns com os outros. Falar para jovens, interessa falar do futuro e nós temos dois grandes desafios para o futuro: por um lado, há um excesso de internos e isso cria um constrangimento e a imperiosidade de ter muita imaginação para superar esta dificuldade. O número de vagas aumentou 32 por cento de 2016 para 2017. A Direção de Internato de Viseu é a maior da região e, por isso, vamos criar duas direções de Internato em Viseu. Outra questão de futuro é a carreira médica, temos de estar atentos às evoluções". Rui Nogueira lembrou entretanto que "Viseu acolhe sistematicamente os melhores Internos de MGF que temos na região Centro, isso é grato". Rui Nogueira relembrou, entretanto, a realização do próximo Congresso Nacional de Medicina Geral e Familiar, em Castelo Branco, entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro deste ano.

A sessão contou ainda com a entrega de prémios às comunicações apresentadas nestas jornadas. Foi ainda anunciada a criação da Associação Refresh Med. 

 

Foto: Comissão Organizadora do Refresh Med 16 - Jornadas Médicas Dão Lafões com a Coordenadora do Internato Médico MGF Viseu, Helena Sousa, o Presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, e o Coordenador do Internato de Medicina Geral e Familiar da Região Centro, Rui Nogueira.