12 de abril 2018

Informação

Respostas contra o assédio moral em debate na Ordem dos Médicos

 

 "Assédio Moral e sexual nos serviços de saúde: Que respostas?" foi o tema do debate que decorreu na noite do dia 12 de abril, em Coimbra, numa sessão organizada pela Secção Regional Centro da Ordem Médicos com o apoio do Gabinete de Prevenção de Assédio Moral e Sexual e do Centro de Prevenção e Tratamento do Trauma Psicogénico do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) (criado pelos três oradores desta sessão).

Ao dar as boas - vindas aos participantes e oradores em nome do presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, o médico psiquiatra João Redondo destacou a presença de todos e agradeceu também a vinda do presidente do Conselho Europeu das Ordens dos Médicos, José Santos (também presidente da Assembleia de Representantes da Ordem dos Médicos). Foi então dado o início ao evento: Tecendo considerações sobre esta área tão delicada onde impera muitas vezes a 'lei da silêncio', o primeiro interveniente, Vítor Parola, jurista CHUC, salientou desde logo as diferenças registadas no centro hospitalar depois da criação deste grupo de prevenção do assédio. "Finalmente chegou a Portugal a preocupação com esta área", frisou " foi dado um passo do ponto de vista legislativo no combate ao assédio mas é preciso mudar mentalidades".

Reportando a experiência do gabinete jurídico do CHUC, "até à existência deste gabinete, o número de participações de denúncias era muito reduzido. Depois de ser dado a conhecer este projeto, a realidade no CGUC mudou: os processos de denúncia de assédio, que tem portas de entrada próprias, no que diz respeito ao gabinete de contencioso (antes só pela via disciplinar), hoje já assim não é". Concluiu Vítor Parola: "As pessoas confiam neste grupo e tem vindo a aumentar o número de participações (pode ser tratado agora como processo disciplinar e acompanhamento do grupo assédio, ou só o acompanhamento do grupo do assédio).

E são múltiplos os fatores de risco aos quais estão expostos os profissionais de Saúde. Depois de clarificar conceitos, Isabel Antunes, vogal do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos e Diretora do Serviço de Saúde Ocupacional do CHUC, deu conta de estudos recentes segundos os quais os setores mais afetados são: os profissionais de saúde (15,3%); a segurança social (15,2%); os serviços de proteção (14,5%). Ao recordar dados da Direção Geral de Saúde, afirma: "cerca de 50 por cento dos profissionais de saúde sofrem, pelo menos, um episódio de violência física ou psicológica em cada ano". Assume Isabel Antunes: "No nosso hospital, o serviço acaba por ser o confessionário. Criámos no CHUC uma consulta virada para estas temáticas e dedicada aos funcionários do CHUC que sentem dificuldades de relacionamento ou sobrecarga psicológica. A porta de entrada é o serviço de saúde ocupacional e fazemos a triagem estas consultas". Em sua opinião, a intervenção precoce é fundamental e deve ter uma resposta em função do trabalho d euma equipa multidisciplinar

Para o médico psiquiatra João Redondo é essencial que cada um de nós tome consciência de que é em rede que são dadas as respostas a estes problemas. Enfrentar a humilhação, lembrou tem consequências. "No extremo, chega a levar as pessoas ao suicídio. Pelo meio, há enfarte, AVC, hipertensão...Por vezes, o assédio sexual é o ponto de partida para o assédio moral". Na sua intervenção estabeleceu diferenças e pontos de contacto entre o assédio moral e assédio sexual. Por exemplo, no assédio sexual um só ato pode consubstanciar o fenómeno, enquanto no assédio moral a reiteração das práticas hostis é necessária para o caracterizar.

O psiquiatra, que é também vogal do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos, defende: "estas coisas têm de ser faladas porque isto magoa profundamente as pessoas", colocando sempre o acento tónico de que é crucial que, cada um de nós, possa investir na sua própria rede social como uma das estratégias de salvaguarda deste problema de saúde pública.