03 de maio 2018

Informação

Livro "A Ciência e os seus Inimigos", de Carlos Fiolhais e David Marçal, defende a verdade


O livro "A Ciência e os seus Inimigos", de Carlos Fiolhais e David Marçal foi apresentado, a 3 de maio, pelas 19h30, na Sala Miguel Torga na Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (Av. Afonso Henriques, 39, Coimbra), contando com as intervenções dos autores, Carlos Fiolhais (Físico) e David Marçal (Bioquímico), do ex-Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, e do presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes.

Ao dar as boas-vindas a todos, Carlos Cortes destacou desde logo a pertinência trazida pelos autores que estabelecem nesta obra a ligação entre ciência e Democracia. "A ciência também tem as suas dificuldades e os seus problemas, tal como a Democracia". Acentuou: "Este livro é particularmente bem-vindo e refrescante para recolocar algumas verdades. Não é só a ignorância que é inimiga das sociedade; é, sobretudo, a defesa dessa ignorância. Por isso, temos de defender veementemente a verdade".

Após a intervenção do presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, foi a vez do David Marçal de explicar sucintamente cada um dos capítulos da obra de 288 páginas, que declarou a sua concordância com as palavras do presidente da SRCOM. "Concordo consigo, Ciência e Democracia são faces da mesma moeda. A Ciência precisa da liberdade e da Democracia", assumiu o professor David Marçal. O professor e divulgador dos cientistas no mundo lembrou que Ciência é sinónimo de progresso, melhoria das condições de vida, conhecimento do mundo e da natureza. "Paradoxalmente, neste tempo marcado pela ciência e pela tecnologia a ciência tem inimigos". Foi precisamente a abordar ditadura de Hitler e a ditadura de Estaline que tem início este livro que é mais um marco de denúncia da pseudociência. O bioquímico, escritor e investigador e um entusiasta na desmistificação dos métodos e práticas das medicinas não convencionais abordou cada um dos títulos/capítulos: "Os ditadores", "Os ignorantes", "Os fundamentalistas", "Os vendilhões", "Os exploradores do medo", "Os obscurantistas", "Os cientistas tresmalhados". David Marçal, que é redator científico na Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica e coordenador da rede Global Portuguese Scientists, ainda recentemente esteve no programa Prós e Contras na RTP1 a defender a vacinação.
Considerou o físico Carlos Fiolhais: "Este livro destina-se a defender a ciência, a medicina que resulta do método científico... Esperamos contribuir para o pensamento crítico e para a racionalidade". Perante uma plateia muito interessada e atenta, o físico, professor universitário e ensaísta declarou: "É impressionante como chegámos a este estado e nada está assegurado", ao reportar casos de pseudomedicina. Razão pela qual tenha classificado este livro "A Ciência e os seus Inimigos" como um livro de combate. Gostávamos que isto servisse para uma discussão pública". Sintetizou o físico: "O pensamento crítico e a racionalidade não são valores seguros". A Carlos Fiolhais, recorde-se, devemos a criação da primeira biblioteca pública inteiramente dedicada à ciência, hoje Rómulo Centro de Ciência Viva da Universidade de Coimbra.

Nesta sessão que decorreu a 3 de maio na Sala Miguel Torga, coube ao professor José Manuel Silva, ex-bastonário da Ordem dos Médicos, comentar a obra que é o terceiro livro que estes cientistas escrevem juntos. Estamos perante, a seu ver, "um livro de ciência, um livro de história e um livro de cultura". Abordando alguns riscos de organismos geneticamente modificados (sementes), alertou que há zonas dos EUA que já não são cultivadas porque têm já resistência aos herbicidas, alertou que, por essa via destas novas vertentes de agricultura, os perigos chegam à mesa. José Manuel Silva considerou ainda que "razões pelas quais as pessoas oferecem resistência à ciência é por causa da ameaça da inteligência artificial. Algumas pessoas receiam a ciência porque nos está a conduzir a uma transformação acelerada". Na sua linha de pensamento, o ex-bastonário da OM considerou ainda "inacreditável como a ciência não consegue entrar no Parlamento". Defendeu: "Os deputados deviam ser obrigados a ler o livro. Todos. (...) O Parlamento legalizou as terapêuticas não convencionais fazendo de conta que é médico, legalizou um conjunto de diplomas que permitem a prática medicina com técnicas da teoria geocêntrica, de há dois mil anos...". Ressalvando que o efeito placebo é extraordinariamente importante porque muitas das queixas dos são do foro psicossomático - a bata branca do médico tem efeito placebo - José Manuel Silva recordou que as discussões sobre a Medicina Tradicional Chinesa com os deputados da Assembleia da República tenham sido frustrantes. "A Medicina Tradicional Chinesa está em declínio na China", considerou. "Estes livros deviam ser obrigatórios nas escolas secundárias e na Assembleia da República. Parabéns aos autores".
Esta sessão contou com inúmeras questões dos participantes antes do momento em que os autores autografaram os respetivos livros.


Na Gradiva, estes autores assinaram os livros "Darwin aos Tiros e Outras Histórias de Ciência" e "Pipocas com Telemóvel e Outras Histórias de Falsa Ciência".



# A obra
Escrita a quatro mãos, os autores assumem a denúncia dos casos de pseudociência: "(...) os casos da homeopatia e das medicinas ditas alternativas não podem deixar de vir à baila por continuarem actuais entre nós. Mas outros, como os receios infundados das microondas e das ondas de rádio ou dos alimentos geneticamente modificados, serão nesta obra também merecedores da nossa atenção. A ciência é, mais do que um conjunto de conteúdos e métodos, uma maneira de ver o mundo, que nos pode ajudar a viver melhor nele. (...)"
[In página 24, A abrir]

"(...) Hoje, num tempo em que a sociedade democrática enfrenta novos riscos, não é por acaso que a ciência é alvo de suspeição e de ataques. Os ataques à ciência são parte de uma posição mais geral de recusa de um certo tipo de sociedade, uma sociedade assente no conhecimento e cujo progresso depende do seu alargamento e do seu uso consciente.
Apesar de todos os perigos que estão bem à vista nos dias de hoje, há que ser optimista. (...)"
[In página 255, A fechar]