22 de junho 2018

Informação

Ordem enaltece duas gerações de médicos pelo papel relevante na Medicina e na Democracia

Profundo agradecimento pelo contributo e coragem dos médicos que, em gerações distintas e face a momentos históricos igualmente marcantes, transmitiram o melhor para a construção do Portugal contemporâneo e em prol da excelência da Medicina. O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, na sexta-feira à tarde, dia 22 de junho, foi o anfitrião de uma cerimónia singular: a entrega das medalhas que assinalam os 50 e 25 anos de inscrição na Ordem dos Médicos.
Carlos Cortes, logo no início da sua intervenção, destacou o reconhecimento e o respeito que pelos mestres que, na faculdade e no hospital, transmitem os valores, princípios e conhecimento.
Recordando que esta cerimónia coincide habitualmente com o Dia do Médico, mas que este ano teve de avançar uns dias no calendário para poder congregar o maior número de colegas, o presidente da SRCOM não deixou de frisar: "Queremos, através de vós, consagrar o papel do médico e consagrar também o seu papel. Temos aqui duas gerações que tiveram o seu papel relevante não só para a Medicina e para a Saúde mas também para a construção da sociedade portuguesa, na construção de um país tal como o conhecemos hoje. E é esse legado que quero aqui, hoje, homenagear."
Carlos Cortes deu conta do inestimável contributo dos colegas que receberam a medalha dos 50 anos de inscrição na Ordem dos Médicos, por terem tido um "papel insubstituível" no processo democrático e na defesa das liberdades: "Construíram algo único e que foi transportado até aos dias de hoje: O Serviço Nacional de Saúde (SNS). Todos reconhecem que trouxe mais qualidade de vida aos portugueses", disse, acentuando também o papel do político e advogado António Arnaut (falecido recentemente) na criação do SNS. Embora reconhecendo que o sistema não é perfeito, Carlos Cortes classifica o SNS como "uma mais-valia da Democracia". Aos mais novos - aos que se inscreveram em 1993 - enalteceu o mérito de "manter o que foi criado em 1979 e que se iniciou muitos anos antes". Sublinhou: "Tiveram essa tarefa que não foi fácil. Infelizmente vejo, muitas vezes, que se aponta o dedo aos médicos acusando-os daquilo que os nossos governantes não são capazes de resolver". "Temos de continuar a lutar para termos boas condições para exercer a nossa profissão".
Pouco antes de terminar a sua intervenção nesta cerimónia de homenagem, Carlos Cortes não deixou de lembrar que "um médico é muito mais do que um técnico, porque tem o valor e o sentido do humanismo", uma vez que há médicos que desempenham muitas outras tarefas na sociedade quer do ponto de vista científico, político, cívico e artístico. "Se nós queremos tornar a sociedade mais igualitária e mais humanista, à imagem dos princípios da profissão médica, tem uma intervenção muito importante".

Carlos Cortes dirigiu um especial cumprimento á oradora convidada, a professora Catedrática da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Tice Macedo. Do seu vasto curriculum, recordamos que Tice de Macedo foi a primeira mulher doutorada pela Faculdade de Medicina de Coimbra. Além de outros cargos, foi Diretora do Instituto de Farmacologia e Terapêutica Experimental desde 1974 até 2008. Integrou o Conselho Diretivo da Faculdade de Medicina, foi presidente do Conselho Pedagógico e do Conselho Científico da mesma Faculdade. Foi membro da Comissão de Ética dos HUC. É membro da Academia Portuguesa de Medicina. Frequentou 34 cursos de formação em Farmacologia Clínica no país e no estrangeiro. Faz parte da equipa dos membros fundadores do Instituto Biomédico de Investigação em Luz e Imagem (IBILI), em setembro de 1989, juntamente com os Professores José Cunha Vaz e João José Pedroso de Lima. Nas suas sábias palavras, Tice de Macedo não deixou de frisar a necessidade de cada um dar o melhor de si. "Temos de fazer melhor, sempre", exortou.

Nesta cerimónia, conduzida pela médica anestesiologista Valentina Costa de Almeida (membro do Gabinete para a Qualidade em Saúde da SRCOM), 37 médicos receberam a medalha que assinala as "bodas de ouro" desta profissão e 30 receberam a medalha de 25 anos. "50 anos de juventude e dedicação, 25 anos de um notável percurso! Continuam todos a ser uma inspiração", sublinhou a apresentadora.

Ao agradecer por estar presente neste momento tão marcante a convite do presidente da SRCOM, o atual presidente do Núcleo de Estudantes de Medicina da Associação Académica de Coimbra, José Borges, disse: "Ser médico é um verdadeiro privilégio: poder ser aprendiz, praticante ou professor da arte da cura será sempre tido como uma das mais nobres e dignas ações que o Ser humano pode incorporar. O querer e o dever de ajudar o outro eleva-se na mais bela das vontades". (...) "De estudante ao professor jubilado lutemos, lado a lado, e adequemos a sinergia para o mais belo bem-comum".

A Sala Miguel Torga foi o cenário para esta sentida homenagem e reconhecimento por parte da Ordem dos Médicos. O vice-presidente da SRCOM, Manuel Teixeira Veríssimo, e Valentina da Costa Almeida descerraram as placas evocativas desta cerimónia. Fica assim gravado o agradecimento pelo contributo prestado pelos colegas agora homenageados.

Este dia ficou ainda marcado com mais momentos de celebração e alegria com a atuação do Coimbra Gospel Choir.